Como ajudar alguém com transtorno de ansiedade.

(TAG, TOC, Tr. Estresse Pós-Traumático, Tr. Pânico, Fobias específicas)

Geralmente as pessoas com estes transtornos desenvolvem “Pensamentos Automáticos Negativos”, precisamos então ajudar na mudança desses pensamentos distorcidos, desalinhados com a realidade que aumentam a ansiedade e diminuem a capacidade da pessoa de lidar com a vida, pois ela fica o tempo todo pensando lá na frente, imaginando que nada vai dar certo, que algo ruim vai acontecer.

Por exemplo, se a pessoa tem um desconforto para falar em público, antes mesmo de ir ela já estará pensando que vai dar errado, terá um sentimento de fracasso, terá vergonha, neste caso o objetivo é que possamos ajudá-la a substituir essas distorções por dados mais realistas. Você busca dados da realidade para mostrar para a pessoa que aqueles pensamentos não têm razão de ser, neste exemplo você poderia dizer: “A outra pessoa que se apresentou antes de você se confundiu, mas todos compreenderam e ninguém tirou sarro dele. Você fica com medo, mas no outro dia que se apresentou, se deu muito bem, foi elogiado, foi legal, ninguém riu de você, lembra? Assim ela vai mudando essa forma de pensamento.

Você pode estimular o ansioso a enfrentar seus medos, mas aos poucos.

Você poderá também ler um pouco sobre o assunto, estudar para compreender melhor a pessoa, o funcionamento da doença, a evolução e formas de tratamento.

Existe uma técnica utilizada em Psicoterapia chamada “Dessensibilização Sistemática” que consiste na exposição gradual aos medos, a pessoa vai sendo estimulada gradualmente a enfrentar seus medos e aos poucos ela vai acostumando com a situação, percebendo que nada de ruim aconteceu e que tudo bem realizar tal ação, vai dando novas experiências e memórias positivas para sua mente. Por exemplo, se a pessoa sente um enorme desconforto em comer na frente de outras pessoas, ela será incentivada aos poucos a se alimentar diante de familiares em casa, amigos mais próximos, percebendo seu nível de ansiedade diminuindo gradualmente até conseguir comer na praça de alimentação do shopping.

Nunca minimize o sofrimento da pessoa, só ela sabe o que está sentindo, é importante tentar pegar uma perspectiva de incentivo como: “Você já passou por isso antes, você vai dar a volta por cima, não saiu como você queria, mas aquela parte você foi muito bem”.

Tenha sempre empatia, compaixão:

Não dizer: “aguenta firme”;

É melhor dizer: “poxa eu sei como você está se sentindo” – “que horrível isso que você está sentindo”, valide mais o sofrimento da pessoa, isso fará ela se sentir compreendida, acolhida.

Enfatize os lados positivos que a pessoa vai alcançar caso ela mude, não critique as dificuldades dela. Diga: “vamos que vai ser legal” – “vamos rever aquele pessoal da faculdade” – “vamos fazer novas amizades”.

Caso a pessoa tenha uma crise na sua presença, não diga “calma”, diga: “vamos dar uma volta, ir a um ambiente mais reservado” – “vamos fazer um exercício de respiração juntos”, o que irá ajudar muito, pois a pessoa em uma crise de ansiedade tende a hiperventilar (respirar muito rápido e fica ofegante), ajude-a a liberar o excesso de ar e ir retomando o controle aos poucos.

Ouça a pessoa, pergunte se tem algo que possa fazer para ajudá-la, senão apenas esteja ao lado dela, incentive-a a buscar tratamento, seja psicológico e/ou psiquiátrico, ou a junção dos dois, que é muito eficaz.

Entenda que você não é responsável pelo quadro dessa pessoa e que o quanto antes ela buscar ajuda, mais rápido irá retomar a vida normal.

Vanessa Reis

Psicóloga Clínica, Terapeuta Cognitiva Comportamental, Hipnoterapeuta.

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