Esgotamento no trabalho pode causar depressão, síndrome do pânico e ansiedade

Falta de ar, taquicardia e aperto no peito nem sempre são sinais de problemas cardiovasculares ou mal estar inesperado.

Se associados a sensações de angústia, ansiedade e tristeza, sem um motivo aparente, esses sintomas podem caracterizar quadros de depressão, ansiedade, síndrome do pânico e outras doenças mentais e comportamentais que merecem atenção de quem as sentem. Atualmente, são consideradas como a quarta maior causa de afastamento do trabalho, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

“As doenças psíquicas sempre existiram. Mas à medida que as relações interpessoais e a própria estrutura da sociedade e do ambiente de trabalho se transformaram, essas patologias também passaram por mudanças. Hoje, os transtornos mentais e comportamentais mais comuns estão associados a quadros psicossomáticos, ou seja, quando há manifestação física sem uma causa médica reconhecida.

Nesses casos, além do diagnóstico psicológico, o paciente pode desenvolver uma alergia desconhecida, ter falta de ar, dor de cabeça, entre outros sintomas”, explica Patrícia Bader, psicóloga do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim.

Entre os transtornos psíquicos mais comuns nos dias de hoje estão a depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, síndrome do pânico e síndrome de burnout. “Embora sejam doenças diferentes, grande parte de seus sintomas são parecidos ou até mesmo iguais. Em alguns casos é possível ter mais de um transtorno ao mesmo tempo”, diz a psicóloga.
Identificar os sintomas e procurar ajuda é o primeiro passo do tratamento. “Se os sintomas forem recorrentes e afetarem o bem-estar e andamento da rotina, o que geralmente acontece, é recomendável procurar ajuda o quanto antes”, alerta Patrícia.

Saiba mais sobre as novas psicopatologias

1. Síndrome do Pânico: é um tipo de transtorno de ansiedade caracterizado por crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça sem um motivo aparente.
– Sintomas: durante as crises, com duração de até 30 minutos, é comum sentir falta de ar, taquicardia, angústia, aperto no peito, sudorese, tontura, dor de cabeça e mal estar generalizado (similar à labirintite).
– Mais comum: em mulheres.

2. Síndrome de Burnout: é uma variação do transtorno de ansiedade e do pânico, porém está diretamente associada a situações de estresse nas relações trabalho.
– Sintomas: são iguais aos da Síndrome do Pânico (falta de ar, taquicardia, angústia, aperto no peito, sudorese, tontura, dor de cabeça e mal estar generalizado), a diferença está no motivo que a desencadeia, no caso da Síndrome de Burnout é o trabalho.
– Mais comum: trata-se de uma doença comum em carreiras onde há contato direto com pessoas (professores e profissionais da saúde) e que proporcionem situações de risco e grande pressão ao colaborador (profissionais de bancos e atendentes de telemarketing).

3. Estresse pós-traumático: doença desencadeada por situações traumáticas como um assalto, situações de violência em geral, tragédias naturais (enchentes e desgraças coletivas), acidentes aéreos e entre outros.
– Sintomas: os sintomas do estresse pós-traumático são similares aos da síndrome do pânico, porém as crises estão associadas à situação traumática vivida pelo paciente ou familiar, seja por lembrar-se do ocorrido ou contato com situações similares. “Este transtorno também pode afetar a qualidade do sono. É comum ter sonhos recorrentes com a situação traumática ou passar a noite em vigília”, explica Patrícia.

Redação Bonde com assessoria de imprensa28/08/2015

A Psicoterapia é indicada para tratar a origem dessas patologias, não dispensando é claro o uso de medicamentos para amenizar os sintomas físicos.

Como em muitos casos esses sintomas não encontram suas origens em alguma disfunção no corpo e sim nas emoções e sentimentos, a psicoterapia pode ajudar a entender o que está ocasionando os sintomas e como lidar melhor com seus sentimentos e emoções.

A Psicossomática estuda as relações entre mente e corpo com ênfase na explicação da patologia somática. O termo psicossomático, na expressão mais comum, pode reportar-se tanto a origem psicológica de determinadas doenças orgânicas, quanto às “repercussões afetivas/emocionais do estado de doença física no indivíduo, como até confundir-se com simulação e hipocondria, onde toma um sentido negativo”.

Que fique claro que o fato de se ter uma doença psicossomática, não significa que ela não existe, que a pessoa esteja fingindo ou exagerando, como muitos acreditam. As doenças de origem psíquica trazem um sofrimento real e na maior parte dos casos até mais grave e profundo do que as de origem física, em geral mais simples de serem identificadas e tratadas.

Sendo assim, é de suma importância a busca por ajuda especializada, pois mais eficaz que camuflar a dor, é erradicar a sua origem.

por Vanessa Reis

Vanessa Reis

Psicóloga Clínica, Terapeuta Cognitiva Comportamental, Hipnoterapeuta.

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